No âmbito do lançamento da TDT em Portugal, a 29 de Abril de 2009, a Tele Satélite propõe neste espaço um especial dedicado a esta temática, o qual será periodicamente actualizado...
Antes de entrar mais em pormenor nesta tecnologia, convém explicar porque foi escolhida: este modo de difusão possibilita uma utilização mais eficiente do espectro, permitindo alargar consideravelmente a quantidade e qualidade da oferta. Para isso, os sinais integrando os dados dos programas são digitalizados e ordenados num sinal único chamado Multiplexer antes de serem transportados até ao telespectador através de ondas electromagnéticas. É esta melhoria substancial do serviço de televisão que levou a Comissão Europeia a obrigar os 27 países da União a adoptar esta tecnologia baseada na norma DVB-T (para Digital Video Broadcasting-Terrestrial) até 2012, ano durante o qual será desligado o “velho” sinal analógico terrestre – uma operação conhecida como “switch-off” ou “apagão” analógico.
Praticamente todos os países europeus já deram início a este processo; soube-se há poucas semanas que o governo português escolheu a data de 26 de Abril de 2012 para a realização desta operação por cá. Até lá, a PT vai encarregar-se da distribuição do sinal digital a todo o país, num processo faseado: até ao final deste ano deverá chegar a 80% da população nacional, ficando a cobertura completa em Dezembro de 2010. Seguir-se-á então um período de “simulcast”, durante o qual irão coabitar os sinais analógico e digital, antes que seja efectuado o já referido “apagão”.
Vejamos então de mais perto o que a TDT tem para oferecer no que diz respeito ao sinal emitido em aberto (Multiplex A), lançado pela PT este mês: para quem esteve até aqui habituado apenas à recepção dos tradicionais quatro canais (RTP1, RTP2, SIC, TVI) através da antena terrestre, o “upgrade” vai ser tremendo, com a melhoria significativa da qualidade da imagem e do som recebidos, podendo passar a receber canais em Alta Definição na resolução 1920 x 1080i e som Dolby Digital 5.1.
Também se fica a ganhar em termos de quantidade da oferta: além dos referidos quatro canais (mais a RTP Madeira e a RTP Açores, no caso das Ilhas), está prevista a chegada de um 5º canal generalista até Abril de 2010 (apesar das propostas dos dois únicos candidatos terem sido recentemente “chumbadas”, aguardando-se agora novos desenvolvimentos); e ainda de um canal HD para a transmissão de conteúdos em Alta Definição partilhado pela RTP, SIC e TVI (não estando descartada, porém, uma versão HD para cada um dos quatro canais já existentes). Por fim, a TDT vai também permitir o acesso a funcionalidades interactivas como o Guia Electrónico de Programas (EPG), os serviços de gravação, Pausa TV, e ainda o acesso a legendagens, rádios, Portal TV ou jogos.
Concretamente, ficam assim ao alcance do telespectador, e de forma gratuita, funcionalidades até aqui apenas reservadas a quem dispõe de um serviço por assinatura (via satélite, cabo, IPTV ou outro tipo de distribuição).
Como a Tele Satélite já teve oportunidade de descrever nos diversos artigos dedicados a este tema nos últimos meses, para receber as emissões digitais terrestres existem duas condicionantes: adquirir um receptor/descodificador (vulgarmente conhecido como “set-top-box”) a ligar ao televisor e cujas funcionalidades irão depender do modelo e do preço; ou então optar por um televisor com “tuner” TDT já integrado. Convém relembrar que em ambos os casos os equipamentos têm de ser compatíveis com a norma DVB-T e com o formato de compressão MPEG-4/H.264, o que nem sempre é o caso nos modelos que reivindicam estar prontos para esta tecnologia. No que diz respeito à antena, e tal como informa o Fórum TDT (criado pela PT em conjunto com os operadores de TV de sinal aberto, com o objectivo de garantir aos portugueses o acesso a toda a informação relativa à transição da televisão analógica para a TDT), quem já tiver uma antena de recepção UHF e a respectiva cablagem nada terá que acrescentar, uma vez que a maioria das antenas terrestres convencionais, já instaladas, é compatível com a recepção dos sinais TDT; os restantes terão, claro, que efectuar essa instalação.
Quanto à reorientação da antena – e ainda segundo o mesmo Fórum (consultar o site http://tdt.telecom.pt), estará dependente da localização dos emissores de TDT: se for o mesmo que o usado pelo sistema analógico, não deverão ser necessários ajustes; caso contrário, torna-se obrigatória uma reorientação da antena. Uma pequena precisão ainda em relação ao equipamento necessário: para quem dispõe de mais do que um televisor em casa, torna-se obrigatória a utilização de uma “set-top-box” por aparelho para poder receber os sinais da TDT (a não ser, claro, que esses mesmos televisores já possuam um “tuner” digital terrestre integrado).
O que é a TDT?
A TDT (Televisão Digital Terrestre) é uma nova tecnologia de emissão de canais de televisão, transmitidos por via hertziana numa plataforma digital que se destina a substituir, dentro de pouco anos, a televisão hertziana terrestre difundida até aos nossos dias, em formato analógico.
Qual a finalidade da TDT?
A TDT surge, no caso europeu, por decisão da Comissão Europeia, a qual determinou que até ao ano de 2012 terão de cessar todas as emissões analógicas de televisão hertziana terrestre. Esta decisão, para além de poder potenciar tecnologicamente a forma de difundir os canais de televisão, tem ainda por finalidade libertar espaço radioeléctrico na Europa, proporcionando deste modo a eventual entrada de novos operadores de televisão hertziana terrestre.
Quando terão início as emissões da TDT e quais os canais que serão transmitidos?
Como tem sido largamente noticiado, as emissões da TDT terão início no dia 29 de Abril. Como esta nova tecnologia de difusão de televisão se destina a substituir o sistema de emissão de televisão terrestre analógica, serão transmitidos logo de início, no Continente, através desta plataforma digital os quatro canais generalistas, ou seja a RTP1, a RTP2, a SIC e a TVI, acrescido ainda um canal de Televisão de Alta Definição. Nas Regiões Autónomas, o número de canais a transmitir será de seis, onde o sexto será o canal da RTP da respectiva Região (RTP Açores ou RTP Madeira), embora não forçosamente pela ordem aqui descrita.
Para o próximo ano está previsto o início da difusão via TDT de um 5º canal generalista. Quanto aos canais TDT por assinatura, em sinal codificado, não se conhecem mais pormenores além daqueles que a Tele Satélite já divulgou há vários meses, sabendo-se sim que o seu lançamento poderá ser agora adiado face ao inevitável atraso provocado pela contestação ao resultado do concurso que atribuiu à PT a licença relativa à operação destes canais.
Quais as zonas de cobertura inicial das emissões da Televisão Digital Terrestre?
Inicialmente, nesta primeira fase, que se estenderá até ao final do mês de Junho, e pelo que está previsto, as áreas abrangidas estarão na zona da Grande Lisboa, Porto, Viana do Castelo e parte do Algarve.
É obrigatório a mudança para a TDT?
Não é obrigatória a mudança da recepção da actual televisão terrestre analógica para a televisão digital terrestre. O problema que se coloca é que a partir de 2011 ou, na pior das hipóteses, a partir de 2012, as emissões de televisão analógica cessam, ficando somente a ser irradiada a televisão digital (TDT). No entanto, a mudança de tecnologia de recepção de televisão é sempre um critério pessoal, pelo menos nesta fase. Contudo, a qualidade de recepção permitida por esta nova tecnologia faz com que a TDT seja, mais tarde ou mais cedo, absolutamente incontornável.
Para receber a Televisão Digital Terrestre quantos canais teremos de programar nos nossos futuros equipamentos receptores de TDT?
Contrariamente ao que acontece actualmente com as emissões da Televisão Analógica Terrestre, onde a actual rede de emissores se socorre para a respectiva difusão de diversos canais atribuídos aos vários operadores televisivos, tanto na banda de VHF como em UHF, na difusão da TDT existirá somente um canal, independentemente da localização do sistema emissor em todo o território nacional onde serão irradiados os canais televisivos que compõem o Multiplex A, no qual serão transmitidos os quatro canais generalistas (e futuramente o 5º canal, ainda em fase de concurso) mais o canal de TVAD. Este canal será difundido na banda de UHF, na frequência de 842 MHz, correspondente ao canal 67.
Posso receber a TDT com o televisor que tenho há vários anos?
Sim, pode-se receber a TDT nos receptores de televisão que os telespectadores já possuem, independentemente de serem de modelo recente ou mais antigo. Para o efeito, será unicamente necessário adquirir um aparelho receptor, vulgarmente chamado de “set-top-box”, o qual descodifica o sinal da TDT para um formato analógico do tipo A/V, de modo a poder ser entregue ao televisor por via de uma SCART ou de uma ligação do tipo vídeo composto em conjunto com o sinal de áudio, de modo a poder-se visualizar o sinal televisivo nos televisores não compatíveis com aquele formato digital.
Quais os equipamentos apropriados para a recepção da TDT?
Os equipamentos apropriados para a recepção da TDT são: as “set-top-boxes” já descritas na questão anterior; essas “set-top-boxes” podem ser para recepção unicamente da TDT, ou então do tipo recepção combinada TV satélite + TDT; ou então os televisores de modelo mais recente equipados com sintonizadores digitais já compatíveis com a recepção do DVB-T na norma MPEG4/H.264; podem ser adquiridos também gravadores de DVD que incluam igualmente o mesmo tipo de sintonizador e que obedeçam à mesma norma de compressão digital.
Quais as vantagens da TDT?
As vantagens da Televisão Digital Terrestre para o telespectador podem enumerar-se como sendo:
1– Recepção de um sinal televisivo de grande qualidade, isento dos tradicionais “fantasmas” tão vulgares na recepção de televisão analógica;
2– A possibilidade de inclusão por parte dos operadores de televisão na difusão de suportes sonoros do tipo multicanal (Dolby Pro-Logic), o que permitirá aos telespectadores usufruirem de áudio de grande qualidade, do tipo 5+1 ou do género Surround;
3– A recepção de canais em Alta Definição;
4– A inclusão nos canais de televisão do EPG. O EPG é um sistema de informação do tipo gráfico extremamente completo que possibilita a descrição do programa que está a ocorrer num determinado momento, dos programas que se seguirão dentro da grelha de programas previamente estabelecida pelo operador do canal de televisão, como também da programação completa para os dias seguintes, segundo o critério do operador. No entanto, o êxito desta facilidade dependerá, como é óbvio, do interesse de cada operador dos canais de televisão em causa;
5– Possibilidade de acesso a programas interactivos;
6– Possibilidade de se receberem pacotes de canais televisivos digitais temáticos, quer por assinatura quer (eventualmente) transmitidos em modo livre;
7– A emissão de um número maior de canais televisivos.
E o que acontece com a recepção da TDT no caso dos possuidores de pacotes televisivos pagos?
Neste caso, para todos os subscritores de pacotes de televisão por assinatura, por cabo, por IPTV ou por satélite, a TDT não terá qualquer impacto no serviço contratado pelo aderente, visto tratar-se de um sistema de recepção de televisão independente, de tecnologia digital, que tem somente como finalidade primeira a substituição do actual sistema de irradiação de televisão terrestre analógica.
Na transmissão da TDT vão ser usados os mesmos locais de emissão usados na difusão da Televisão analógica?
A filosofia de transmissão da TDT é um pouco diferente da utilizada para a emissão da televisão analógica, a qual tem, como se pode pressupor, algumas particularidades relacionadas com diversos factores, como – por exemplo – com a tecnologia empregue, com a potência de emissão, para além da preocupação por parte do difusor na optimização de sinal na cobertura das diversas áreas pretendidas. Tendo em vista estas particularidades, poderá por esse motivo acontecer que em certas zonas o transmissor da TDT não esteja no mesmo local relativamente ao transmissor da televisão analógica, pelo que eventualmente poderá ocorrer a necessidade de reapontamento da antena de recepção na direcção do novo sistema transmissor.
Para a recepção da TDT podem ser usadas antenas interiores?
A opção de serem utilizadas antenas interiores para a recepção da TDT irá depender da intensidade de sinal que chegará até ao local onde se encontra instalado o receptor. No entanto, se for possível, esse tipo de recepção terá enormes vantagens em relação à recepção de televisão analógica na medida em que terminam de vez os sinais parasitas e a recepção da TDT será isenta dos chamados “fantasmas” tão vulgares na recepção de televisão analógica.
E nas instalações colectivas de recepção de televisão hertziana terrestre?
Em princípio, e desde que a instalação existente num condomínio esteja em perfeitas condições técnicas, praticamente não será necessário qualquer beneficiação, com excepção de um reapontamento da antena colectiva ao sistema emissor, caso a localização do emissor de TDT não seja a mesma que a instalação transmissora da televisão terrestre analógica. No entanto, como eventualmente haverá a possibilidade de nem todos os condóminos aderirem de imediato às emissões da TDT, neste caso particular pode-se recomendar a instalação de uma segunda antena, a qual deverá então ser direccionada para o local onde estará a ser difundida a TDT, e depois interligada à instalação de distribuição de televisão do condomínio.
Quantos canais de televisão se podem ver simultaneamente a partir de uma “set-top-box” ou caixa conversora, num televisor?
As caixas conversoras só podem sintonizar um canal televisivo de cada vez, a exemplo do que acontece igualmente nos televisores que já possuímos, onde só poderemos seguir um canal televisivo de cada vez.
Com a TDT poderemos ver um canal de televisão e gravar outro em simultâneo?
Eventualmente poderá existir essa possibilidade, desde que as caixas conversoras incorporem dois sintonizadores e um disco rígido incorporado, ou então uma segunda saída do tipo USB, SCART ou de outro tipo, de modo a poder-lhe ser ligado um aparelho gravador de vídeo ou um disco rígido externo.
É possível ver a TDT e uma recepção satélite com o mesmo equipamento?
Neste momento já existem – como já dissemos antes – receptores do tipo Combo, os quais permitem tanto o DVB-T como o DVB-S2 na norma MPEG4 H.264, podendo deste modo visualizar-se num televisor tanto a emissão por satélite como a emissão digital terrestre.
Sou aderente a um pacote digital por satélite. Posso ter a recepção satélite e a TDT no mesmo receptor?
A partir do que foi exposto na questão anterior, em teoria pode. O único problema que se coloca é saber se o cartão de acesso condicional ao serviço do operador do “bouquet” digital por satélite está emparelhado ou não com o receptor fornecido pelo operador. No caso de não estar, pode receber ambos os serviços, desde que o equipamento receptor disponha ou de um descodificador integrado compatível com o sistema de codificação do operador de televisão por satélite ou então esteja equipado com uma “slot” do tipo PCMCIA que permita a inserção de uma CAM para o respectivo sistema de codificação.
Ou seja, em teoria pode sim receber a TDT num receptor satélite digital, desde que este seja do tipo “combo” (recepção satélite + recepção TDT), mas é preciso não esquecer que os operadores nacionais de “pay TV” disponibilizam, regra geral, aparelhos do tipo “proprietário”, isto é específicos à recepção do pacote satélite em causa, logo unicamente destinados a essa finalidade.
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