TELE Satélite

‘Caída do céu’...


Como os leitores já terão reparado, um dos temas principais desta edição da Tele Satélite fala de um novo pólo de interesse para os entusiastas da recepção satélite, nomeadamente para aqueles (muitos) que há anos anseiam pela possibilidade de receber em Portugal, através de uma parabólica e em boas condições, canais televisivos franceses: a possibilidade de recepção do pacote gaulês TNTSAT, transmitido via satélites Astra-1 dos 19,2° Este (uma posição orbital que permite uma captação com qualidade excelente) e de acesso praticamente gratuito, já que requer unicamente a compra inicial de um “pack” receptor + cartão específico a esse tipo de recepção. Face a esta realidade, que possibilita aos entusiastas dos canais franceses receber muito facilmente e com grande qualidade mais de 20 estações – incluindo já algumas em Alta Definição – com essa origem, quantos não se lembrarão da verdadeira provação que era, aqui há alguns anos, tentar captar as estações gaulesas a bordo dos Télécom, na norma Sécam, em escasso número e em condições muito difíceis (já que os mapas de “footprint” desses satélites e o facto de Portugal estar no limite dessa cobertura implicava importantes oscilações no sinal ao longo do dia, além de exigir a utilização de antenas, pelos padrões de hoje, no mínimo enormes...)? Agora, tudo é diferente... para melhor: a antena de recepção é de pequeno diâmetro, os sistemas de recepção muito mais económicos, fáceis e simples de instalar, os satélites em causa de alta potência e com mapas de cobertura ideais para a captação no nosso país, os canais em muito maior número, mais diversificados e – acima de tudo – a respectiva recepção pode ser feita com uma qualidade invejável e sem variações. Sem esquecer que a tudo isso se pode aceder juntando ao sistema de recepção já existente um simples equipamento TNTSAT, que pode custar 2 a 3 centenas de euros mas que não exige qualquer tipo de assinatura ou pagamento adicional. Na prática, isso torna-se possível graças ao conceito que está por detrás deste “bouquet” francês transmitido via satélites Astra-1: não sendo possível cobrir em condições ideais a totalidade do território nacional através dos retransmissores terrestres, os operadores franceses (à imagem, aliás, do que se faz também noutros mercados europeus) de TDT (Televisão Digital Terrestre) recorrem para isso à solução satélite. Além do TNTSAT destacado nesta edição, outra opção já possível é o pacote FRANSAT, promovido pela Eutelsat via satélite Atlantic Bird-3 (5° Oeste), que foi tema abordado na edição Tele Satélite de Julho. De qualquer forma, o mais importante é que esta solução, embora oficialmente idealizada apenas para os telespectadores gauleses, possibilita agora que também nós, entusiastas portugueses interessados nesses canais, tenhamos um acesso incomparável, como nunca antes, a duas dezenas de estações francesas. O que representa mesmo, quando comparado com o que existia antes, uma verdadeira oferta “caída do céu”...

Francisco Vieira

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