TELE Satélite

Questão difícil...


Num mercado dominado, hoje mais que nunca, pelas constantes e sucessivas novidades tecnológicas – satélites mais potentes e abrangentes, TV de alta definição, equipamentos receptores ainda mais evoluídos e funcionais, LNBs ópticos, lançamento da TV digital terrestre, primeiros testes de televisão em 3D, chegada anunciada da banda Ka,... –, outra realidade cada vez mais incontornável é a multiplicação exponencial dos conteúdos disponibilizados pela televisão via satélite (tal como acontece, aliás, com as outras plataformas de distribuição de TV temática)... De facto, o número de canais televisivos a que podem hoje aceder os utilizadores da recepção satélite é verdadeiramente impressionante: por um lado, os vários “bouquets” comerciais, codificados, acrescentam praticamente todos os meses novos conteúdos à sua grelha de canais, chegando mesmo a propor, cada um deles, mais de 100 estações temáticas; por outro, a recepção “free-to-air” ultrapassou já (como descreve em pormenor o artigo que faz capa desta edição da Tele Satélite) a inacreditável marca de 2000 canais e emissões televisivas ao alcance de quem dispõe de uma antena parabólica do tipo multisatélite. Essa realidade, cada vez mais evidente, leva-nos a questionar a validade e o interesse de continuar a apresentar numa edição especializada como esta a programação mensal de algumas (poucas) dezenas de canais televisivos via satélite, deixando de fora – como não podia deixar de acontecer, já que está obviamente fora de questão, por razões de paginação, pretender incluir muito mais informação além daquela já hoje publicada – muitos (mesmo muitos) outros... A questão é, hoje mais que nunca, bem pertinente... Deverá a Tele Satélite continuar a publicar a programação dos canais tal como ela é hoje proposta? De que canais, os actuais ou outros? E concentrando-se nos canais mais populares presentes nos “bouquets” comerciais portugueses, ou antes em canais livres (sem esquecer que a maioria destes últimos não tem – ao contrário daqueles que integram os “bouquets” codificados – uma filosofia comercial pura, logo nem sempre disponibilizam a sua programação mensal para publicação numa revista)? No limite, valerá a pena continuar a incluir esse tipo de informação, sabendo que ela será sempre muito limitada? A resposta (ou respostas) não é fácil... E como esta é uma publicação especializada dedicada prioritariamente aos utilizadores da recepção satélite, o único caminho possível é, pois, perguntar-lhes isso mesmo... Assim, na sua próxima edição a Tele Satélite irá propor aos seus leitores um novo questionário/sondagem, convidando-os a ajudar-nos a encontrar a melhor resposta possível para essa questão tão difícil...

Francisco Vieira

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