Ou se é...
- “Gostaria de saber se é possível e como posso ver canais codificados?” - “Porque não escrevem sobre aquilo que desperta mais interesse nos leitores: artigos sobre o hobbie da descodificação ‘alternativa’ de canais satélite?” - “Como captar os canais dos bouquets portugueses sem ter de subscrever o serviço?” - “Porque não um fórum para discussão do satélite Hispasat (Nagravision) e os códigos?” - “Onde posso tirar o firmware do Nagra 3?” ... O tema é recorrente, aparecendo, desaparecendo e regressando sempre à actualidade... Mês após mês, a Tele Satélite continua a ser confrontada com questões relacionadas com a eventual possibilidade de acesso “paralelo” às mais cobiçadas emissões codificadas via satélite, nomeadamente aos mais populares “bouquets” de estações cuja distribuição é feita através desta plataforma tecnológica, a área de eleição desta publicação. E justamente pelo facto da recepção satélite ser a “especialidade” desta revista e dos seus produtos editoriais derivados (como o “Anuário” e o site www.telesatelite.net), vários dos leitores e internautas que nos questionam em relação ao tema expressam o seu descontentamento, por vezes mesmo surpresa, ao constatarem que ele é totalmente “ignorado” nestas páginas... É verdade que o assunto da recepção “pirata” – vamos “chamar os bois pelos nomes” – é deveras popular e ajudaria seguramente a vender revistas e conteúdos... Da mesma forma, é mais que compreensível, para qualquer entusiasta das tecnologias envolvidas na recepção satélite, a frustração que resulta de não podermos aceder a emissões que, graças ao alcance e à globalização das transmissões feitas por esta via, a nossa “parabólica” já recebe, ainda que protegidas por codificação... Ainda para mais sabendo que, em muitos casos, esse entusiasmo vem do tempo em que pretender receber e “abrir” tudo o que nos chegava ao “prato” (antena satélite) era uma possibilidade real e uma ambição legítima... Só que a razão para a Tele Satélite se recusar a abordar este tema que não para o condenar é não apenas mais que válida, como sobretudo óbvia e natural: as emissões codificadas de carácter comercial têm um público destinatário bem definido e a sua recepção obedece a regras bem claras, que estão antes de mais relacionadas com questões de direitos de difusão e com circuitos de comercialização que respeitam esses direitos. Assim sendo, a captação dessas emissões fora desses circuitos (os quais, regra geral, correspondem ao mercado de origem do operador das mesmas; ou, no caso nacional, à comercialização através de agentes autorizados e com acesso feito em regime de subscrição, ou seja condicionado ao pagamento de um determinado valor, como aliás acontece com qualquer serviço comercial e com qualquer investimento que se pretende rentabilizar) representa uma ilegalidade, nalguns países – como é o caso do nosso – mesmo um crime, perseguido e punido por lei. Logo, participar na promoção do mercado “paralelo” ou “pirata”, ainda para mais ajudando assim ao lucro de indivíduos e empresas que vivem do investimento alheio e da ilegalidade (algo que, aliás, a Tele Satélite bem conhece, ao sofrer “na pele” a reprodução não autorizada, via internet, dos seus conteúdos e informações especializadas...), está e estará sempre fora do âmbito desta publicação. E não se trata de recear as eventuais consequências de participar na promoção desse mercado – repito – ilegal; mas sim, e acima de tudo, de uma questão de princípio: além de não o devermos fazer, não o queremos fazer, ponto final! Até porque tudo isto se pode afinal resumir – como já há alguns anos escrevi – a uma questão de honestidade... e no que toca a ser honesto não há meio termo: ou se é...
Francisco Vieira
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