TELE Satélite

‘O tempo passa, os satélites ficam’...


Um dos principais artigos desta edição da Tele Satélite destaca o crescimento acentuado, registado no último ano, do número de aderentes aos serviços “pay TV” portugueses que utilizam como meio de recepção uma antena satélite: recordando uma das principais conclusões contidas no relatório da Autoridade Nacional de Comunicações no qual o referido artigo se baseia, entre Dezembro 2007 e Dezembro 2008 o número total de assinantes de serviços do tipo DTH (para recepção directa, através de uma “parabólica”) acusou uma evolução de 21,3%!.
Um crescimento digno de registo, ainda mais se considerarmos (afinal, como é possível não
o fazer?...) que ele foi conseguido num ano de acentuada retracção do consumo.
Ainda no mesmo relatório, e igualmente assinalado no artigo em questão, outro facto a merecer destaque é o da evolução dos assinantes DTH no mercado português coincidir com a confirmação do decréscimo nos utilizadores de televisão por cabo: pela primeira vez, considerando o final do ano anterior (2007), o número total de aderentes aos serviços nacionais de TV temática distribuídos via redes de cabo diminuiu.
Mas, mesmo levando em conta o muito particular histórico da “pay TV” portuguesa na última década e meia, a revelação trazida por todos esses dados acima citados não é uma total surpresa...
De facto, esta realidade a que assistimos agora não é exclusiva do nosso mercado, assumindo-se antes como uma verdadeira tendência hoje generalizada por toda a Europa.
Isso mesmo confirmam as conclusões do último estudo (já referente ao ano 2009) de penetração do mercado televisivo multicanal levado a cabo pela organização pan-europeia Eutelsat (operador dos bem conhecidos satélites do mesmo nome) nos países cobertos pelos seus retransmissores espaciais (Europa, Norte de África e Médio Oriente, num total de 45 países), pelas quais ficamos a saber que entre 2006 e 2008 a recepção por cabo cresceu apenas 1% por ano, contra um crescimento anual de 9% conseguido pela recepção satélite; e o estudo conclui ainda que o satélite (com 109.5 milhões de lares) ultrapassou já largamente o cabo (86.8 milhões) como meio de recepção dessa oferta televisiva do tipo multicanal.
Comentando estes resultados agora conhecidos, o operador espacial europeu referiu como uma das vantagens adicionais da recepção satélite o factor tempo, explicando que mesmo a crise económica actual tem pouca influência directa numa actividade como é a sua, baseada em ciclos conjunturais muito longos.
E num comentário final a essa outra (uma mais!) vantagem do satélite face a outras plataformas de distribuição de conteúdos, o Presidente da Eutelsat, Giuliano Berretta, recorreu com humor a uma expressão que acaba por sintetizar bem a realidade a que, neste mercado, hoje assistimos: “o tempo passa, os satélites ficam”...

Francisco Vieira

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