Onde tudo começou...
Celebrou-se no mês de Outubro o 50º aniversário do lançamento pela então União Soviética do “Sputnik 1”, primeiro satélite artificial em órbita à volta da Terra e verdadeiro ponto de partida da conquista espacial. Um “voo”, sabemos hoje, preparado à pressa, devido ao período de “guerra fria” que se vivia então entre os blocos norte-americano e soviético (é um facto conhecido que sem essa ameaça de uma guerra nuclear com os Estados Unidos a URSS só teria lançado o primeiro satélite do programa Sputnik bem mais tarde) e que muito se ficou a dever, é justo recordá-lo, à vontade de Sergueï Korolev, considerado o pai do programa espacial soviético: a pequena esfera de alumínio, com apenas 58 centímetros de diâmetro e 83,6 quilos de peso, foi construída em menos de 3 meses. Pouco depois da sua descolagem (a 4 de Outubro de 1957) a partir de um local de lançamento situado no Cazaquistão (e que é hoje o cosmódromo de Baikonur, base dos foguetões espaciais russos Proton), o pequeno satélite, cuja principal missão era o estudo atmosférico, começou a emitir o seu célebre “beep” (sinal de rádio que podia ser captado nas frequências de 20.000 e 40.000 MHz), um feito histórico que iria durar 3 semanas; e após 3 meses e 1440 órbitas a baixa altitude à volta da Terra, o primeiro “Sputnik” (“companheiro” em russo, no sentido astronómico de “satélite”) desintegrou-se na atmosfera... A passagem do 50º aniversário do primeiro satélite artificial da Terra não poderia deixar de ser assinalada, em jeito de homenagem, por uma publicação como esta (e neste seu espaço de destaque que é o Editorial), que tem como tema fundamental dos seus conteúdos e razão primeira da sua existência justamente os satélites de telecomunicações. Afinal, foi aí, há 50 anos, com o lançamento do Sputnik 1, onde tudo começou...
Francisco Vieira
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