A história repete-se...
O sistema de transmissão televisiva (e não só) representado pelos satélites de telecomunicações é, de facto, único e inigualável. Há anos que sabemos isso. Mas nunca é demais recordá-lo, sobretudo quando é o próprio mercado a lembrar-nos a importância decisiva deste conceito que tem por base os satélites geoestacionários. Como é agora o caso, nomeadamente com a decisão do Canal+ francês de lançar uma versão por satélite do pacote de canais gratuitos originalmente destinado ao sistema nacional de Televisão Digital Terrestre (TDT). A razão para esse operador, conhecido pelos seus interesses eminentemente comerciais, ter apostado nesta solução é óbvia: a difusão via satélite é a única maneira de permitir a todos os consumidores franceses o acesso aos canais da TDT; já que, como também se sabe, esta tecnologia (TDT) de difusão televisiva terrestre tem como principal desvantagem, aliás à imagem do que já conhecíamos com a televisão hertziana terrestre tradicional (analógica), as suas limitações geográficas, não cobrindo a totalidade do território a que se destina. A solução agora adoptada pelo Canal+ não é inédita, já que ainda em França está há muito dado como certo um outro pacote “TDT via satélite”, este promovido estatalmente; e outros operadores, como a TF1, consideraram ou consideram ainda essa possibilidade. Por outro lado, também para o mercado espanhol está já anunciada uma solução em tudo idêntica, esta liderada pela TVE. Como já antes tinha acontecido com promotores de conteúdos televisivos originalmente dedicados a outros meios de difusão, como a via terrestre ou o cabo, agora é a vez dos operadores directa ou indirectamente ligados à nova tecnologia TDT se renderem também eles aos encantos da TV por satélite, como única solução para disponibilizar as suas ofertas a todos os telespectadores, sem limitações. Uma vez mais, a história repete-se...
Francisco Vieira
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