Oferta e procura
A recepção satélite livre, tema em grande destaque nesta edição da Tele Satélite, não pára de crescer. Como bem indica o artigo publicado nas páginas seguintes desta revista, hoje existem já mais de mil estações difundidas em modo livre, não codificado, que podemos receber com uma simples antena parabólica motorizada, de pequeno diâmetro e sem qualquer tipo de dificuldade particular.
Mais de mil estações, entre canais de televisão e programas regulares de rádio! Algo possível, antes de mais, pela tecnologia digital de que a difusão satélite foi pioneira, tecnologia que permite - entre outras vantagens que caracterizam este tipo de transmissão de sinais -, através da compressão numérica, a transmissão de vários canais (até um total de oito, nalguns casos) num mesmo transponder, ou frequência. E não só.
Tantos canais disponibilizados, de forma totalmente gratuita, aos possuidores de um sistema de recepção dotado de uma antena móvel, de um receptor analógico e de um terminal digital "free-to-air" (para captação de programas difundidos em modo aberto) é uma realidade só tornada possível também pela vulgarização da difusão por satélite: mais satélites de filosofia comercial e dedicados à recepção directa, logo preços de aluguer de capacidade de difusão mais económicos (o que explica a existência de tantas novas estações, algumas delas de poucos recursos). Mas não é tudo. Há mais uma explicação para esta verdadeira "avalanche" de canais livres por satélite: os destinatários, os potenciais telespectadores e ouvintes dessas estações, que são, afinal, a razão primeira da sua existência. E o facto de dispormos hoje de mais de mil estações difundidas via satélite em sinal aberto tem muito a ver com a popularidade deste sistema de transmissão; isto é, com o universo de detentores de sistemas de recepção satélite, contabilizados em muitos milhões em toda a Europa e noutras regiões do Globo atingidas pelas antenas de difusão dos principais retransmissores espaciais que tão bem conhecemos. Ou seja, a oferta (de canais livres) é tão expressiva quanto os seus possíveis consumidores.
O que não representa mais que a simples regra comercial e de mercado da oferta e da procura…
Francisco Vieira
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