TELE Satélite

Tudo ou nada...


O recente anúncio da possível tomada de posição maioritária, pela Vivendi Universal, no capital accionista do “bouquet” TPS faz já “correr rios de tinta” pelos “media” de toda a Europa, dando-se como praticamente certa a fusão dos actuais dois pacotes digitais por satélite franceses, TPS e CanalSat, nossos bem conhecidos (dos Hot Bird e Astra, respectivamente).

E o alarido levantado em torno desta notícia não é para menos: afinal, TPS e Canal+ são (eram?) não apenas tradicionais concorrentes comerciais como mesmo ferozes rivais na sua (natural e óbvia) procura por novos assinantes e mais fatia de mercado, chegando a protagonizar alguns dos episódios mais acesos do panorama audiovisual do “velho continente” nos últimos anos.

Por outro lado, e mais que a assinalável surpresa causada, esta anunciada possibilidade de fusão (que, tudo indica, muito em breve deverá ser confirmada, pese embora ainda faltar a indispensável “luz verde” das autoridades reguladoras da concorrência) dos dois “bouquets” por satélite gauleses (que entretanto tinham já estendido a sua rivalidade a outros meios de difusão), ainda para mais duas das maiores plataformas televisivas por assinatura na Europa, trouxe novamente actualidade ao tema do monopólio televisivo nos mercados europeus.

É que não há muito tempo uma situação idêntica (ou muito semelhante) aconteceu, por exemplo, noutro importante mercado continental, a Espanha; idem, pouco antes, na Itália. Agora, e a confirmar-se (como parece ir acontecer) o mesmo em França, praticamente todos os principais mercados televisivos (e não só) do “velho continente” terão passado de uma realidade multi-plataforma para uma oferta única.

E isso significa, basicamente, a inexistência do saudável e desejável princípio da concorrência, a impossibilidade, para o consumidor-telespectador, de escolha; o que, em termos práticos, tem também consequências óbvias em capítulos tão importantes como, por exemplo, os conteúdos e os preços.

O consumidor francês de TV satélite por assinatura vai assim, também ele, deixar de poder optar.

Ou melhor, não existindo propostas alternativas, a sua única opção passará a ser aderir ou não; ou tudo ou nada...

Francisco Vieira

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