As novas ‘ofertas’...
O conhecido grupo televisivo britânico ITV anunciou recentemente o lançamento de um novo “bouquet” satélite de promoção própria.
Esta nova oferta será difundida, diz a ITV, em modo aberto, para uma recepção livre, gratuita, sem qualquer pagamento.
O lançamento (arranque previsto para meados de 2006) coincidirá com o 50º aniversário da Independent Television e o novo “bouquet” digital por satélite anuncia-se claramente como concorrente directo da oferta britânica de Televisão Digital Terrestre (TDT) bem como da TV satélite por assinatura (BSkyB).
Há mais pormenores: chamar-se-á “Freesat”, vai ser desenvolvido em parceria com a BBC, incluindo num primeiro tempo todos os programas gratuitos dos dois operadores (ITV e BBC) na área da televisão, rádio e serviços interactivos, assim como uma dezena de outros canais livres.
A difusão em aberto do novo pacote digital por satélite foi já reafirmada pelo director-geral do operador britânico, Charles Allen: “Queremos que os canais sejam acessíveis a um máximo de pessoas, sem contrariedades técnicas nem geográficas”, acrescentando que nos próximos meses o grupo vai já começar a difundir sem codificação alguns dos seus canais actualmente disponíveis apenas por assinatura nos “bouquets” que servem o Reino Unido e a Irlanda.
Esta novidade agora anunciada e confirmada merece bem um duplo destaque: por um lado, é a concretização de uma nova oferta unicamente disponível por satélite, de acesso livre, logo teoricamente ao alcance de todos os utilizadores desta tecnologia, ainda por cima uma oferta que se prevê, pela qualidade dos canais envolvidos, muito interessante; por outro lado, e simultaneamente, o futuro “bouquet” da ITV contribui como exemplo flagrante para percebermos que, afinal, e contrariamente ao que muitos afirmam, nem todos os novos canais e pacotes televisivos de assinalável interesse e importância hoje concretizados podem ser acedidos unicamente contra pagamento (isto é, são codificados e propostos em sistema de assinatura).
Como a ITV acaba de confirmar, a verdadeira “oferta” televisiva (aquela que não tem de ser paga, de acesso livre) por satélite, pelo menos na Europa, não só se vai manter como continuará a crescer.
Uma realidade que o sucesso de vários pacotes TDT gratuitos e a chegada iminente da TV de Alta Definição europeia (seguramente com várias estações em aberto) torna ainda mais clara.
É mais que certo: vamos poder continuar a assistir ao lançamento de novos conteúdos televisivos com difusão por satélite; e, entre esses conteúdos, vamos também poder continuar a receber gratuitamente, sem ter que pagar por isso, novos canais de acesso livre, as verdadeiras novas “ofertas”…
Francisco Vieira
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