Meio único e insubstituível...
As aplicações práticas do fabuloso conceito que tem por base os satélites artificiais da Terra vai muito além da sua utilização enquanto retransmissores espaciais para fins comerciais, como parte integrante do sistema de telecomunicações que nos permite aceder, através de uma antena do tipo “parabólica” ou similar, a centenas de canais televisivos e de rádio.
Esta é, de facto, a utilização dos satélites terrestres que melhor conhecemos, enquanto adeptos da denominada “recepção satélite”. Mas há outras, muitas outras...
Na realidade, os satélites em órbita terrestre, geoestacionária ou não, são hoje um meio preferencial, estratégico, decisivo e insuperável a que os cientistas, instituições, governos, empresas e muitas outras entidades recorrem, com as mais diversas motivações e para os mais distintos fins. Muitas vezes, os satélites são mesmo usados quotidianamente e de forma intensiva, sem que disso tenhamos conhecimento, para nos ajudarem em situações práticas, reais, que fazem parte do nosso dia-a-dia, como meio indispensável de comunicação, informação, prevenção ou assistência. Chegando mesmo, não raras vezes, a fazer parte de sistemas de emergência que contribuem para prevenir e combater desastres e catástrofes, prestar socorro a vítimas de acidentes e ajudando até a salvar vidas.
Dois exemplos recentes que, pela sua proximidade, importância e dimensão, não passaram despercebidos a nenhum de nós, foram os fogos florestais que devastaram Portugal Continental e a catástrofe provocada pelo furacão “Katrina” na região norte-americana de Nova Orleães...
No primeiro exemplo, que tão de perto nos afectou, o satélite Artemis da Agência Espacial Europeia (E.S.A.) foi pela primeira vez usado para apoiar o combate às dezenas de grandes incêndios registados, fornecendo ao Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, em tempo real, informação precisa e grupos de imagens de grande visibilidade mostrando a extensão e tendência de propagação dos fogos.
No segundo, e em mais uma demonstração das extraordinárias capacidades dos satélites geoestacionários, o sistema de satélites Hispasat foi utilizado para estabelecer comunicações de emergência em Nova Orleães: graças à alta potência do feixe do satélite Amazonas sobre a América do Norte, puderam ser estabelecidas comunicações de emergência a partir da zona afectada, através de uma antena móvel de tamanho reduzido...
Como se pode ver, os satélites de que tanto aqui falamos servem, afinal, para bem mais do que apenas retransmitir canais e serviços. A tecnologia envolvida e as capacidades de cobertura e comunicação dos retransmissores espaciais atingiram hoje um tão avançado nível de desenvolvimento e aperfeiçoamento que podemos bem dizer que, da mesma forma que como meio de telecomunicações para fins comerciais, também enquanto meio usado para aplicações práticas tão importantes como aquelas acima referidas, eles (os satélites) são mesmo únicos e insubstituíveis...
Francisco Vieira
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