Como, quando e porquê...
Segundo notícia recente, o governo português poderá estar a considerar avançar com o aguardado novo concurso para a Televisão Digital Terrestre (TDT) durante o primeiro semestre de 2006. A essa notícia juntou-se no último mês a da divulgação, por parte da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), de uma autorização recentemente concedida às empresas Siemens, SGC Telecom e Media Capital para procederem à realização de ensaios técnicos em DVB-T.
Uma das principais consequências dessas notícias, além da informação em si, foi fazer da TDT, novamente, tema de interesse e discussão junto de alguns sectores nacionais, incluindo alguma imprensa generalista e financeira. Sectores que se apressaram a amplificar publicamente as notícias em causa, considerando a primeira delas (a pretensa intenção do governo português de agendar para breve o lançamento do concurso para exploração do sistema de TV digital por via terrestre) como praticamente uma confirmação da chegada iminente da TDT ao nosso país; e, com ela, dos benefícios e vantagens que a nova tecnologia de difusão televisiva trará. O entusiasmo foi tal ao ponto de vários órgãos de comunicação social terem feito eco destacado de parte das mais recentes declarações do patrão da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, alusivas ao tema, definindo a TDT como “o futuro da televisão free-to-air”...
Longe de nós querer não partilhar desse entusiasmo. Mas não deixa de surpreender que sectores esclarecidos se limitem a promover como verdade universal os benefícios e vantagens da Televisão Digital Terrestre, sabendo que a eventual decisão do executivo português é há muito esperada, não podendo ser protelada muito mais tempo (afinal, a União Europeia reafirmou recentemente o ano 2012 como data limite para a transição analógico-digital) e, ainda mais importante, sabendo que falta o principal, sem o que o bom senso e a experiência aconselham a não “embandeirar em arco”: falta justamente saber o modelo a adoptar para a nossa TDT (a mesma notícia original refere que o governo estará ainda a estudá-lo, em conjunto com a Anacom). Sem isso, será sempre prematuro vaticinar o sucesso da TDT portuguesa. Até porque o nosso mercado dispõe hoje de uma oferta televisiva fortíssima. Essencialmente a pagar, é verdade, mas quem garante que a oferta TDT nacional não o será também, ainda que parcialmente? E quem conhece já os eventuais preços de acesso, incluindo os mais que certos preços dos aparelhos receptores? Totalmente ainda por definir, esses serão sim os parâmetros decisivos para a adesão do consumidor a esta nova tecnologia que se anuncia.
Ou seja, e resumindo, é verdade que já conhecemos o porquê da Televisão Digital Terrestre, as suas motivações; como também sabemos já, mesmo que aproximadamente, quando irá surgir (vai ter de ser rapidamente); mas falta-nos ainda perceber o principal, que é como (em que moldes, segundo que modelo) será ela proposta ao consumidor...
Francisco Vieira
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