Como (quase) sempre...
A Televisão Digital Terrestre (TDT) é um dado incontornável. E por várias razões.
Uma delas é que os decisores políticos da Europa Unida acertaram que dentro de alguns (já não muitos) anos o chamado “apagão analógico”, isto é, o fim das emissões televisivas feitas segundo a tradicional tecnologia analógica há muito utilizada, será obrigatório.
Outra razão tem a ver com a motivação primeira desta mudança da “velhinha” TV analógica para a TV digital; e essa motivação diz respeito à natural e desejada evolução que a transmissão/recepção televisiva em modo numérico representa para todos os intervenientes (produtores, operadores, difusores, industriais, fabricantes, público consumidor), com as vantagens e benefícios já bem conhecidos (e que a “nossa” recepção satélite há muito explora): melhor imagem, mais canais, novos serviços, possibilidades acrescidas, menor custo,...
Percebendo isso, alguns dos principais mercados televisivos do “velho continente” passaram já à prática, atempadamente, a tecnologia da TDT, concretizando o lançamento e exploração comercial de um sistema de transmissão/recepção de Televisão Digital Terrestre.
E, depois de um início algo receoso e de alguns precalços, a TDT europeia parece querer revelar-se já hoje um considerável sucesso.
De facto, em vários dos países da Europa onde a Televisão Digital Terrestre é já uma realidade este modo de difusão está a ter grande receptividade, muito além das melhores expectativas.
Alguns exemplos claros disso mesmo são a Grã-Bretanha, onde o “bouquet” Freeview dispõe já de mais de 5 milhões de assinantes, prevendo-se que se torne rapidamente na oferta televisiva mais divulgada no país; ou a Itália, com o pacote digital terrestre a crescer exponencialmente, rivalizando já em termos comerciais com o fortíssimo “bouquet” operado via satélite; ainda a França, mercado onde foram vendidos mais de 300.000 adaptadores para a recepção TDT logo nas três primeiras semanas após o seu lançamento, com estimativas apontando para mais de um milhão até finais de 2005; sucesso que se antecipa também para Espanha, com o início oficial da oferta TDT já agendado para Outubro próximo, oferta que será formada por 22 canais gratuitos e liderada pelo operador estatal TVE.
Um sucesso concretizado ou anunciado um pouco por todo o lado… ou nem por isso. É que em Portugal, por exemplo, nem sequer se vislumbra ainda quando é que o novo meio de difusão televisiva terrestre poderá ser falado, discutido, regulado, agendado, quanto mais quando é que poderá ser também uma realidade... De facto, a última vez que um governante português falou publicamente sobre o tema foi para dizer que “não nos devemos precipitar”, que “não vamos cometer o erro de querer ser pioneiros na Europa”...
De qualquer forma, já não seremos pioneiros na Europa na adopção formal da TDT. Mas seria bom que também não fôssemos, como sempre ou quase sempre acontece, os últimos...
Francisco Vieira
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