TELE Satélite

Alta (in)definição...


Um pouco por toda a Europa, Portugal incluído, o assunto TVAD (Televisão de Alta Definição) volta a dar (muito) que falar.

Tudo porque uma única empresa, belga, de vocação (obviamente) iminentemente comercial, teve a iniciativa de lançar uma única estação televisiva, difundida via satélite (e apenas assim, pelo menos por enquanto), com programação baseada essencialmente em concertos clássicos, óperas e documentários e cujo acesso é feito apenas através de subscrição, por assinatura, além de exigir a aquisição de um terminal receptor específico.

Bastou, de facto, isso (muito pouco, convenhamos) para que, de um dia para o outro, a Europa se lembrasse de voltar a falar - agora insistentemente - na TVAD, anunciando-a já como “a Televisão do futuro”...

Que a empresa promotora do (único) canal TVAD para já disponível na Europa o promova insistentemente… nada mais natural. De igual forma, que os fabricantes e comerciantes da indústria de televisores domésticos aproveitem o facto para promover os seus mais recentes aparelhos como “já preparados para a Alta Definição”… também se compreende.

Do mesmo modo que facilmente se percebe o anúncio - obviamente promocional - já feito por vários operadores televisivos europeus noticiando o futuro lançamento de emissões TVAD...

O que não se percebe, nada mesmo, é por que razão alguns “especialistas” da electrónica de consumo (os mesmos que já tinham antes vaticinado futuros risonhos para fracassos como o D2-MAC ou o PAL+), precipitando-se e confundindo os consumidores, se atrevem já hoje a classificar a TVAD como uma realidade incontornável e obrigatória para os telespectadores europeus.

E não se percebe simplesmente porque, ao contrário de mercados como o japonês e o norte-americano, a Televisão de Alta Definição europeia, ao nível do consumidor final, ainda nem sequer existe, já que falta ainda conhecer as emissões TVAD disponíveis (que não apenas um canal, ainda por cima de recepção problemática e deveras onerosa), os equipamentos receptores, os meios de difusão e os preços de acesso.

Como se pode ver, falta ainda conhecer… tudo (ou quase tudo). É bem o que se poderia chamar, resumindo, de… alta indefinição.

Francisco Vieira

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