Exemplo máximo...
É bem verdade, como alguns intervenientes do mercado nacional fazem questão de relembrar repetidamente, que a realidade da recepção satélite já não é a mesma de há 8, 10 ou 12 anos... Nem em Portugal nem em nenhum outro mercado europeu.
Aliás, nunca poderia ser, se atentarmos na evolução exponencial, mesmo autêntica revolução, que o mercado das “parabólicas” conheceu só na última década, desde a oferta em canais e serviços via satélite até aos equipamentos receptores, aos preços, etc...
Mas aquilo a que esses intervenientes se referem, regra geral, quando relembram os tempos do autêntico “boom” na recepção satélite em Portugal, é mesmo à “concorrência”, entretanto surgida. É que há 10 ou 12 anos não existia oferta de Televisão por cabo à escala nacional. Nessa altura, a recepção satélite significava mesmo, de facto, a única alternativa possível à paupérrima oferta televisiva por via hertziana terrestre (com apenas dois canais…). Não havia, pois, concorrência comercial, muito menos uma concorrência de tal modo forte ao ponto da sua promoção ser omnipresente, incontornável, como é hoje o caso.
Isso é verdade inegável. Mas o que não se pode nunca esquecer é que, ainda que comercialmente concorrente, a recepção televisiva por cabo é, acima de tudo, do ponto de vista tecnológico e de filosofia, complementar à recepção directa, feita via satélite. E que esta - a recepção satélite - conserva ainda hoje, e continuará a conservar, as suas virtudes e vantagens, face aos outros meios de difusão televisiva (terrestre, por cabo, Televisão Digital Terrestre), aquilo que faz a sua grande força: a quantidade e qualidade, imbatível, da oferta (hoje são mais de 1000 os canais de TV que se podem receber!), o pioneirismo tecnológico (TV digital, Alta Definição, som digital, formato 16:9,…), a economia de custos (se quisermos ver apenas canais livres, só se paga o material de recepção, e uma só vez), a liberdade individual de escolha (vemos os canais que queremos - desde que livremente acessíveis, claro - e não uma oferta imposta pelo operador do serviço) ou o ilimitado alcance geográfico em que se baseia o princípio de recepção (recebe-se em qualquer ponto do país, com uma simples antena parabólica).
E este último ponto ganha aqui particular importância, servindo para convencer (se preciso for) os mais pessimistas: é que se a recepção satélite não fosse complementar à recepção por cabo, conservando as suas inigualáveis qualidades e benefícios, por que razão o principal operador de TV por cabo à escala nacional escolheria disponibilizar a sua oferta também via satélite?
Face aos muito falados e receados conceitos de difusão televisiva “concorrentes”, esse bem poderia ser o exemplo máximo da importância da recepção satélite...
Francisco Vieira
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