‘O crime não compensa’
A codificação de canais e “bouquets” televisivos por satélite é algo com que os telespectadores estão há já muito tempo bem familiarizados. Os canais e pacotes (ou “bouquets”) de canais “fechados” (codificados, cujo acesso não é livre) existem por uma razão (a principal, já que muitas vezes a codificação é também explicada por questões que se prendem com direitos de difusão ou pelo carácter específico das emissões – por exemplo, emissões destinadas a uma determinada classe profissional ou instituição) simples, óbvia e facilmente compreendida: para que o seu acesso possa ficar reservado a quem por ele quiser pagar. Regra geral, as emissões codificadas representam investimentos importantes, nomeadamente a nível da programação e dos direitos de difusão.
E como, tradicionalmente, a publicidade não constitui presença significativa (estando por vezes mesmo ausente) nas emissões “fechadas”, os assinantes são mesmo a grande (senão única) fonte de receitas dessas estações, reconhecidamente comerciais e com fins lucrativos.
Por tudo isso, não pode deixar de merecer uma veemente crítica toda e qualquer actividade ligada à promoção e comercialização de técnicas, sistemas ou dispositivos visando “abrir”, “desbloquear” ou “piratear” o acesso aos canais e “bouquets” legitimamente vendidos pelos detentores dos seus direitos e/ou respectivos operadores de difusão. Uma actividade hoje (novamente, e talvez mesmo mais que nunca) muito na moda e que se estende, não nos iludamos, muito além do mercado dos simples entusiastas ou consumidores curiosos. E não adianta fazer-nos crer que tal actividade se explica pela “natureza própria do Homem”, curioso ao ponto de querer compreender e dominar tudo o que o rodeia; nem tão pouco pelo louvável “carácter científico” dessas técnicas, esquemas e sistemas de “desbloqueio”. Por uma razão simples: a promoção e comercialização dos sistemas que “abrem” as “caixas” descodificadoras e as emissões codificadas tem fins lucrativos. Ou seja, tem como objectivo o lucro (mais ou menos) fácil a partir do investimento… dos outros! O que, convenhamos, mais que uma actividade ou princípio ilegal (e, como tal, formalmente combatido e condenado), é algo desonesto. O que está verdadeiramente em causa é isso mesmo: uma questão de princípios, de moral, de honestidade (ou falta dela). Por outro lado, e conforme reza a história do mercado da recepção satélite, não raras vezes (senão quase sempre ou mesmo… sempre) o consumidor que se deixa “tentar” pelos serviços, equipamentos ou produtos “paralelos” acaba, regra geral, por ver o seu investimento perdido.
Por tudo isso (resumindo: por se tratar de uma actividade ilegal, por uma questão de princípio e também para proteger ao máximo os seus leitores), a Tele Satélite lança a partir deste mês uma campanha contra todo e qualquer tipo de promoção de sistemas, técnicas, produtos ou serviços que possam ser identificados como “piratas”. Assim, as páginas desta revista e também o “site” www.telesatelite.net deixam de poder servir de “montra” promocional a esse tipo de actividade e aos seus respectivos promotores.
A bem de todos os verdadeiros utilizadores, entusiastas e profissionais da recepção satélite, também aqui o crime não pode compensar…
Francisco Vieira
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