TELE Satélite

Fazer... e saber fazer


Decididamente, é demais! Para quem acompanha com um mínimo de atenção o panorama da recepção televisiva por satélite (e as emissões, conceitos e tecnologias directa ou indirectamente relacionados com isso), chega a ser enervante o à-vontade com que alguns “media” desfilam incorrecções e imprecisões sobre o tema.

Por exemplo, em muitos dos jornais nacionais (e não só) os vários canais temáticos cuja programação é aí publicada são, invariavelmente, apresentados como canais de cabo; esquecendo-se que não só estão, invariavelmente, disponíveis também via satélite, como até que o principal operador nacional de cabo também dispõe de um pacote emitido via satélite (muito bem sucedido, por sinal, com mais de 300 mil assinantes).

Noutro exemplo, num canal televisivo nacional a expressão “emissão em pay-per-view” é traduzida por “emissão do cabo”; quando, claro está e apenas para começar, o tipo de emissão e o meio de difusão não são sequer confundíveis.

Já num jornal semanário de grande divulgação, a BSkyB é anunciada como… um canal britânico; e na cultura geral de quem escreve esse tipo de informação a história da Sky e de Rupert Murdoch não devia ser propriamente algo desconhecido.

Já numa revista mensal dita especializada, os principais satélites aparecem alinhados no céu, supostamente entre Este e Oeste, mas… ao contrário do que, na realidade, visualizamos; já que os satélites geoestacionários orbitam cerca de 36 mil quilómetros acima da linha do Equador, e o Equador está, para um observador situado no Hemisfério Norte (como é o nosso caso, na Europa), a Sul (é por isso que, em Portugal, uma antena apontada aos Hispasat - satélites identificados pela posição orbital de 30° Oeste - está a “olhar” mais à direita que uma antena apontada ao Astra - 19,2° Este -, quando a sul do Equador será exactamente o inverso).

Ainda na mesma revista, e ainda pior disparate, anuncia-se pomposamente, como grande utilidade para o leitor, a indicação dos “bouquets” por satélite onde pode ser recebido o EuroNews com som em Português, como alternativa ao final dos mesmos comentários na versão do canal captada via pacote da TV Cabo; quando, obviamente, o EuroNews não emite em Português em nenhum deles.

Estes (tristes) exemplos - os mais relevantes, já que outros houve - foram recolhidos só numa semana de leitura e escuta atenta…

E isso prova à evidência aquilo que já sabíamos: que não basta informar (ou melhor, tentar fazê-lo); é também, e sobretudo, preciso, mesmo indispensável, informar com rigor, com conhecimento.

Mais que simplesmente informar, é obrigatório saber informar.

De contrário, quem é (ou devia ser) informado acabará, mais tarde ou mais cedo, por perceber a diferença entre “fazer” e “saber fazer”…

Francisco Vieira

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