O único limite…
Nesta edição, a Tele Satélite publica um dossier especial onde são apresentadas (se bem que de forma resumida, bem entendido, dada a manifesta falta de espaço; falta de espaço que se afigura ainda mais visível neste mês de Agosto, onde, e pela primeira vez, a Tele Satélite se vê obrigada a reduzir um pouco a sua paginação - embora garantindo rigorosamente a presença de toda a informação habitual -, consequência evidente da época estival e também do período menos positivo que, de uma forma ou outra, economicamente todos atravessamos, com reflexos óbvios no investimento publicitário) as principais ofertas europeias em "bouquets" e canais por assinatura disponíveis nos satélites que melhor podemos receber, bem como as respectivas condições de recepção. Algo que muitos leitores sempre pediram.
Mas a justificação para a publicação deste dossier "bouquets europeus" vai muito além do simples interesse que desperta junto de muitos leitores. De facto, ele não aparece agora apenas para dar resposta a esse interesse manifestado pelos entusiastas do tema recepção satélite. É que, além dessa justificação (já de si mais que suficiente, claro), a sua publicação nesta altura surge também pelo que representa hoje a recepção satélite na Europa, quase que como homenagem - sem querer exagerar - àquilo que alguns chamam a vitória da recepção satélite sobre as barreiras geográficas e legais impostas às transmissões televisivas. Ou seja: depois de anos a tentar-se limitar (artificialmente) o acesso, a partir de qualquer ponto do continente, aos cobiçados "bouquets" e canais presentes nos satélites comerciais europeus, justificando isso com restrições ligadas aos direitos de comercialização (o que não deixa de ser verdade, mas irrealista), os últimos tempos vieram confirmar, mesmo reforçar, a realidade que diz existirem fora dos respectivos territórios de comercialização oficial milhares de assinantes (legais!) de pacotes como os franceses TPS e Canal Satellite ou o britânico Sky Digital; e dezenas de casas especializadas (incluindo agentes oficiais!) propondo equipamentos de recepção e assinaturas para esses "bouquets".
Não adianta mais negá-lo, ou pretender escondê-lo: existindo consumidores interessados (e existem, muitos!) na recepção de determinado(s) canal(is) ou "bouquet(s)" transmitido(s) via satélite Astra, "Hot Bird" ou Hispasat (qualquer deles cobrindo grande parte - ou mesmo a totalidade - da Europa e captável através de uma simples antena parabólica), não há, na prática, barreiras e limites suficientemente fortes para o impedir. É que, graças à universalidade do satélite, o único limite é, afinal, esse mesmo: o interesse dos consumidores…
Francisco Vieira
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