Os verdadeiros ‘culpados’
O tema principal deste mês, pelo menos aquele que merece "honras" de maior destaque, volta a ser a inigualável oferta de canais livres proporcionada pelas duas posições orbitais "quentes" na recepção satélite europeia (logo também portuguesa): Hot Bird/13° Este e Astra/19,2° Este. E falo em oferta porque - insisto - é disso mesmo que se trata: de uma oferta, já que o único investimento requerido é aquele inicial, isto é, a compra do equipamento de recepção (se ele ainda não existir, obviamente); o resto, isto é, a recepção dos canais, é totalmente livre (são canais em aberto, não codificados, de acesso livre).
E esse, afinal, sempre foi um dos motores de desenvolvimento da recepção satélite grande-público.
Desenvolvimento para o qual mais contribuíram justamente os dois sistemas de satélites mais populares, Astra (na sua órbita original, os 19,2° Este, já que hoje existe uma segunda posição orbital ocupada por retransmissores Astra, os 28,2° Este) e Eutelsat/"Hot Bird" (13° Este). De facto, a ideia de co-posicionamento de vários satélites numa única localização geoestacionária, de que o sistema Astra da Société Européenne des Satellites (SES) foi o grande pioneiro, tornou a recepção satélite apetecível, graças às dezenas (hoje são centenas) de canais que o conceito permite captar com uma única antena "parabólica", de tipo fixo (logo, mais barata de comprar e mais simples de instalar).
Por outro lado, e retomando a ideia original da SES/Astra (vários satélites numa mesma posição, para mais facilmente poderem ser captadas as suas emissões), a organização pan-europeia de satélites Eutelsat idealizou um outro conceito inédito: a concentração numa única órbita (os 13° Este) de dezenas (hoje centenas) de estações de TV e Rádio das mais variadas origens, abordando os mais variados temas e eminentemente de acesso livre; muito a propósito, a Eutelsat decidiu chamar aos seus retransmissores espaciais destinados a serem a base deste conceito… os "pássaros quentes" ("Hot Bird"). Por tudo isso, e com a preciosa ajuda trazida pela vulgarização da difusão em modo digital e do que isso representa em termos de economia e de oferta de canais (graças à tecnologia digital, é hoje muito mais económico difundir via satélite, o que faz com que haja muitos mais difusores/canais transmitidos; por outro lado, a vulgarização da recepção levou também à "democratização" dos preços dos equipamentos de recepção), podemos bem dizer que a popularidade e o interesse actuais pela recepção satélite europeia se devem em grande parte aos dois sistemas "vedeta", Astra/19,2° Este e Eutelsat "Hot Bird"/13° Este: são eles, afinal, os verdadeiros "culpados"…
Francisco Vieira
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