Na linha da frente
A importância da tecnologia na qual se baseiam as transmissões de imagens, sons e dados através dos satélites artificiais é, nos dias de hoje, enorme.
Indo muito além da "simples" utilização que tão bem conhecemos, aquela para fins comerciais, nomeadamente das transmissões (via satélites geoestacionários) de canais e "bouquets" televisivos dedicados à recepção directa, grande-público.
De facto, a tecnologia que tem como base os satélites de telecomunicações possibilita aplicações muito mais vastas, a maioria das quais regra geral pouco conhecidas.
Vem isto a propósito da recente guerra no Iraque. Um episódio (infelizmente, bem mais que isso) que marcou (e que seguramente marca ainda, quando o leitor estiver a ler estas linhas) a actualidade internacional nas últimas semanas, concentrando as nossas atenções de telespectadores. Obviamente, pela importância do tema: a guerra. Mas também pela presença constante, total, incontornável, das transmissões a partir do Iraque (e não só) no nosso "pequeno ecrã", em todas as estações noticiosas ou generalistas.
A cobertura televisiva da guerra do Iraque foi, efectivamente, única, com uma actualidade, intensidade e instantaneidade nunca antes vista. Das "terrestres" nacionais (RTP, SIC, TVI) às estações de TV via cabo ou satélite (SIC Notícias, CNNi, BBC World,…) e aos canais exclusivos da recepção satélite (Al-Jazeera, Al-Arabiya, Fox News,…), todas dedicaram à guerra do Iraque uma fabulosa cobertura televisiva (nalguns casos, mesmo exagerada). Cobertura que incluiu tipos de transmissões usados pela primeira vez, permitindo uma mobilidade e um imediatismo inéditos.
Tudo isso possível graças aos satélites.
Sem esse meio ímpar de transmissão, nunca teríamos acompanhado a guerra tão de perto (nalguns casos, mesmo demasiado perto), tão intensamente e - mais que nunca - tão em tempo real. Meio de difusão tecnologicamente inigualável, na vanguarda dos sistemas de comunicações à distância e cobrindo todo o Planeta, o satélite nunca como agora esteve tão… na linha da frente.
Francisco Vieira
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