Estabilidade ou crescimento?
Não se assuste ao ler o título... Este editorial não pretende alongar-se em nenhuma explicação económica enfadonha; antes debruçar-se sim sobre números recentemente tornados públicos que revelam uma relativa estabilidade – poder-se-ia utilizar até a palavra “resistência”! – do peso do segmento satélite, vulgarmente conhecido como DTH, face a concorrentes particularmente agressivos, tanto em oferta como em preço... O último estudo “Eurobarómetro” da Comissão Europeia indica-nos isso mesmo, adiantando que mais de 1/5 dos lares europeus (21% mais exactamente) recorrem a uma antena “parabólica” para receber emissões de televisão no seu lar, um “share” correspondente ao de há 5 anos. Uma regularidade que se regista igualmente o nosso mercado, segundo a Anacom, entidade que também revelou recentemente as suas estatísticas trimestrais: como se pode ler nas notícias desta edição, o DTH mantém o segundo lugar na preferência dos telespectadores nacionais, continuando a representar cerca de 1/4 (23,9% em finais de Março de 2011) do total dos assinantes em Portugal. Porém, limitar o mercado nacional do DTH a estes 671 mil lares seria, claro, ocultar parte da realidade, já que esse número não inclui todos aqueles que utilizam uma “parabólica” para receber emissões em sinal aberto ou mesmo serviços “pay TV” oriundos de outros países (apesar de isso, já se sabe, não ser oficialmente possível...). Na realidade, e como já tivemos oportunidade de anunciar há algum tempo, este mercado perfaz um total que ultrapassa em muito, seguramente, o milhão de utilizadores. Mais: será também interessante analisar daqui a curto e a médio prazo a evolução deste segmento a nível nacional, tendo em conta o “switch-off” analógico que aí vem e a previsível necessidade que muitos vão sentir de recorrer a uma antena satélite para continuarem a receber os 4 canais “terrestres” nacionais. Nessa altura, será então provável falar mais de crescimento que de estabilidade...
Francisco Vieira
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