Logo se vê...
Pelo terceiro mês consecutivo, o editorial da TeleSatélite tem como tema de conversa a TDT nacional... Insistência excessiva? Não, antes perguntas ainda sem respostas claras, diríamos nós! É que, numa altura em que se deu finalmente início ao tão arrastado processo de migração para a tecnologia digital terrestre, e fazendo jus ao tema, existem ainda algumas “zonas de sombra” no que toca à recepção desta tecnologia (TDT) por satélite... Trocando isso por miúdos: conforme vem relatado de forma mais pormenorizada no interior desta edição (ver artigo “Apagão analógico já começou em Portugal”, nas páginas do suplemento TeleDigital), verificamos existir ainda claramente uma falta de comunicação – para não falar de coordenação – entre as diversas entidades com a responsabilidade directa de tornarem realidade a recepção TDT para todos os portugueses, de quem obtivemos respostas díspares sobre como e onde adquirir o já famoso “Kit Complementar TDT” (o equipamento que dará acesso aos canais TDT através da recepção satélite), uma verdade que se estende também a quem coordena as operações e a quem é recomendada a sua aplicação no terreno (instaladores). Todos esses instaladores com quem contactámos no último mês desconheciam (ou afirmaram desconhecer...) a existência do Kit Complementar TDT, suposto dar acesso aos 4 canais da TDT nacional (RTP1, RTP2, SIC, TVI) emitidos via satélite e cuja recepção, segundo ditam as regras do concurso público, deverá ser gratuita. Toda esta situação vem – se tal ainda fosse necessário – pôr a nu uma falta de clareza e de preocupação relativamente aos consumidores por parte de quem tem a obrigação de apresentar atempadamente ao público português as diversas soluções tecnológicas e comerciais colocadas ao seu dispor nesta fase que continua a ser apresentada como uma verdadeira “revolução” na forma como vemos televisão. Em vez disso, temos sim uma espécie de “navegação à vista”, que obviamente em nada vem beneficiar os telespectadores, os quais só quando forem chamados a efectuar a troca do seu equipamento receptor (na sua maioria a partir de Janeiro próximo) é que terão essa preocupação. Ou seja, e recuperando uma expressão bem portuguesa, nessa altura “logo se vê”...
Francisco Vieira
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