TDT por satélite... condicionada
Apetece dizer “Se soubéssemos, tínhamos falado mais cedo”... Passamos a explicar: há precisamente um mês, denunciámos neste espaço a total ausência de informação para quem se encontra (ou se encontrará muito rapidamente) numa zona sem cobertura para receber os 4 canais nacionais transmitidos em modo digital terrestre. E poucos dias depois – no início do mês de Abril, para sermos mais precisos – a ANACOM acabaria por levantar a “ponta do véu”, ao adiantar pormenores (de princípio e comerciais; faltam agora os técnicos/práticos...) sobre o designado “Kit TDT Complementar” colocado ao dispor de quem não vai ter outra solução senão recorrer a uma instalação DTH (via satélite, portanto) para continuar a ver os 4 canais generalistas nacionais. Após leitura do documento divulgado pela Autoridade Nacional de Comunicações, e cujo conteúdo é resumido no interior desta edição, decidimos colocar-nos no lugar de quem irá mesmo precisar de uma parabólica, contactando o número de telefone disponibilizado pelo Fórum TDT de forma a perceber se já é possível adquirir esse Kit Complementar, em que locais e que equipamentos (marcas, modelos) estão envolvidos neste processo... Apesar de não termos ficado completamente esclarecidos relativamente a todos esses pontos (nomeadamente o do material de recepção), foi assim possível confirmar que alguns telespectadores já foram “redireccionados” para um revendedor oficial. Podemos, no entanto, discutir aqui os moldes como tudo isto é processado: ao contrário do que acontece nos mercados europeus de referência (essencialmente no francês e no britânico), onde a venda de equipamentos TDT via satélite é mais ou menos livre – apenas é exigido um comprovativo de morada –, por cá escolheu-se o (mau) exemplo espanhol, ao obrigar qualquer interessado a provar que reside numa zona sem cobertura terrestre, antes de ser dada autorização para instalação de um serviço DTH. Por outras palavras, estamos perante uma TDT por satélite... mas condicionada...
Francisco Vieira
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