Televisão Digital (mesmo) para Todos?
Como temos já oportunidade de verificar, deu-se finalmente o arranque da campanha de comunicação que visa sensibilizar os telespectadores portugueses para a necessidade de adaptarem os seus equipamentos de recepção de modo a acederem às emissões de Televisão Digital Terrestre, isto caso não sejam subscritores de “pay TV”. “Já vem tarde”, exclamaram algumas vozes, revelando frustração e zanga por tão tardia iniciativa. No que nos diz respeito, e por pouco elucidativa que seja esta campanha (nomeamente no que toca ao equipamento que vai ser preciso utilizar), somos da opinião de que, como diz o velho ditado, “mais vale tarde do que nunca”, conscientes de que nunca será demais alertar para a mudança tecnológica que está já a ser levada a cabo com a TDT. Não se pense, porém, que com esta campanha – que, depois de demorar a chegar, parece agora querer chamar a nossa atenção de 5 em 5 minutos! – se resolve tudo e se apaga todos os erros cometidos neste processo de transição. Passemos o facto, inexplicável (e, já agora, inaceitável!) – que aqui denunciámos desde o início –, de ter sido desperdiçada uma oportunidade flagrante para colocar ao dispor dos telespectadores portugueses várias dezenas de canais e serviços, gratuitos ou pagos, como se verifica em qualquer outro país da União Europeia... Tão pouco adianta perder muito tempo a recordar que a opinião, tão importante, dos profisssionais do sector lamentavelmente não foi tomada em consideração nesta matéria... E o mais preocupante neste processo é mesmo que, agora que a máquina de comunicação está lançada, e com os primeiros “apagões analógicos” à porta (já em Maio para a primeira zona-piloto), ainda se mantenham várias interrogações e – por que não dizê-lo? – inquietações relacionadas com a recepção: apesar de, oficialmente, o território estar completamente coberto, vários foram já os leitores a comunicar-nos que não conseguem receber o sinal de TDT. Um alerta que, olhando para aquilo que aconteceu em muitos países europeus, poderá multiplicar-se muito além do previsto. O que fazer, então, neste caso? Recorrer ao serviço satélite? Mas em que moldes será este comercializado? E com que equipamentos de recepção?... Questões que precisam urgentemente de respostas, pois – como sublinhava recentemente o presidente da Anacom – o grande desafio deste processo é que ninguém fique sem televisão em 2012; ou, por outras palavras, para que as iniciais TDT possam realmente querer dizer também “Televisão Digital para Todos”...
Francisco Vieira
|