(Re)Posicionamento...
“2011 será o ano dos lançadores para a Agência Espacial Europeia”, regozijava-se recentemente numa conferência de imprensa Jean-Jacques Dordain, director-geral daquele organismo, numa alusão à activação, nos próximos meses, das rampas de lançamento dos foguetões Soyuz e Vega no Centro Espacial da Arianespace (Kourou), triplicando assim o leque de soluções que permitem colocar em órbita qualquer tipo de satélite. E um dos primeiros beneficiados por esse aumento de capacidade será o muito badalado mas não menos atrasado e controverso sistema europeu de posicionamento global por satélite Galileo (está já oficialmente confirmado que serão necessários mais 1,9 mil milhões de euros para torná-lo operacional, a somar aos 3,4 mil milhões já investidos!), que verá o primeiro satélite oficial da sua constelação ser colocado em órbita no próximo mês de Agosto – isso, claro, se não formos surpreendidos com algum tipo de adiamento de última hora –, numa tentativa de começar a servir os interesses dos utilizadores europeus já a partir de 2014. O calendário do projecto cujo nome homenageia o famoso matemático, astrónomo e físico italiano é, aliás, sintomático daquilo que nos espera neste mercado, ao longo deste ano e à escala global, com diversos sistemas a tentar “posicionar-se” num mercado agora mais do que concorrencial: se, até agora, o GPS norte-americano tem reinado sem competidores, tudo indica que isso irá manter-se por pouco tempo: assim, ainda antes do final deste trimestre deverá ser possível ajuizar da fiabilidade do sistema russo Glonass; ao mesmo tempo que se aguarda também pela concretização de um sistema desenvolvido pelo Japão, o qual tem previsto para 2011 o lançamento de 6 novos satélites dedicados a esse mesmo objectivo; sem esquecer ainda o já avançado e cada vez mais robusto sistema de posicionamento e localização por satélite chinês. Garantia, portanto, de um ano de intensa actividade espacial também neste sector que obrigatoriamente se acompanha agora, pela sua importância e significado, com particular atenção, até porque esse é um sector cujo panorama actual bem poderá ser considerado como uma definição apropriada do estado em que se encontra a quase totalidade do mercado satélite: um mercado hoje em claro (e aqui a expressão aplica-se com todo o sentido) “reposicionamento”...
Francisco Vieira
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