TELE Satélite

Ao nível da Europa...


A União Europeia revelou recentemente os resultados de um inquérito realizado há já praticamente um ano (entre Novembro e Dezembro de 2009) junto de quase 27 mil lares europeus – 1038 dos quais eram portugueses – e relativo ao consumo doméstico de telefone, internet e televisão. Deixando de lado os dois primeiros segmentos e interessando-nos (por razões óbvias) apenas pelo sector da televisão, o estudo em questão revela dados particularmente interessantes...
O primeiro é que 98% dos lares europeus possuem um televisor; o segundo – e ainda mais importante – é que 24% desses mesmos lares recebem o sinal de televisão através de uma antena parabólica. Sendo este um modo de transmissão que tem logrado ganhar terreno nos últimos anos e cuja utilização, como era de esperar, varia de país para país, em função da oferta televisiva. E, sem surpresas, é na Áustria (49%), Alemanha (47%) e Reino Unido (35%) que se encontra o maior número (em percentagem) de utilizadores de televisão por satélite, ou não fosse a esses territórios que são destinados o maior número de programas transmitidos via satélite em modo “free-to-air” (de acesso livre, não codificado). No outro extremo, e ainda segundo esse mesmo inquérito, “apenas” 8% dos portugueses utilizam uma antena parabólica para receber televisão.
Um número que só será surpresa se nos limitarmos a fazer uma leitura “simples” desses dados, sem ter em conta alguns parâmetros próprios do nosso mercado... A maioria dos inquiridos no nosso país afirmou receber sinais de televisão através de uma antena colocada no telhado ou em cima da televisão, correspondendo como tal à recepção de conteúdos emitidos em modo livre (não codificado) e analógico por via terrestre, o que limita essa recepção aos conhecidos 4 canais generalistas (ditos “terrestres”). Na realidade, e dado que a difusão em Portugal de conteúdos televisivos em sinal aberto é praticamente inexistente (como acabámos de referir), convinha então compararmos antes os números relativos à recepção de “pay TV”, como aqueles revelados recentemente pela Anacom.
E nesse capítulo temos mais motivos para ficar “satisfeitos”: é que, conforme indicámos ainda na nossa edição do mês passado, o peso do “DTH” na distribuição de serviços televisivos por assinatura no território nacional é precisamente de 24%, colocando assim Portugal – por uma vez – ao nível da Europa...

Francisco Vieira

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