Satélite, o “parente pobre”?
São algumas as queixas que nos têm chegado nos últimos meses (via correio ou através do site www.telesatelite.net) por parte de leitores que lamentam ser o satélite o “parente pobre” dos operadores nacionais, ao analisarem as diferenças de canais propostos nas plataformas cabo/IPTV/fibra por um lado e a sua versão satélite por outro. Uma queixa que se faz sentir ainda mais aquando do lançamento – como volta a acontecer este mês – de novas propostas televisivas temáticas apenas nas redes “terrestres” de difusão, não se estendendo essa oferta aos clientes do serviço satélite do mesmo operador. Este cenário, compreensivelmente frustrante para quem, por opção ou devido a problemas ou mesmo impossibilidade de captação por outra via, apostou numa recepção através de “parabólica”, tem uma explicação (prática) lógica: a falta de espaço nos retransmissores utilizados para a distribuição dos canais – neste caso, os Hispasat 1C e 1D. Algo que poderá, tudo indica, conhecer alterações num futuro que esperamos muito próximo... Por um lado, é hoje bem perceptível a forte aposta já assumida pelos operadores portugueses de plataformas televisivas comerciais difundidas via satélite (novamente ilustrada, por exemplo, pela disponibilização da TVI 24 também no Meo Satélite já a partir de 1 de Setembro; ou pela promessa de mais novidades para breve no serviço satélite da Zon, como revela a entrevista apresentada nesta edição); por outro lado, a fonte de crescimento que constitui o satélite, não só na actualidade como também a médio prazo, dadas as limitações geográficas da cobertura por cabo, fibra óptica ou até por TDT – o que obrigará seguramente em certas zonas ao recurso à “parabólica” para se poder seguir essas emissões televisivas –, sem esquecer ainda a possibilidade real do satélite propor também serviços “double” ou “triple play”, são factores que já terão por certo alertado esses mesmos operadores para a necessidade de proporcionarem conteúdos equivalentes (incluindo aqueles em Alta Definição) a todos os seus clientes. Fazendo assim com que acabe finalmente essa imagem de alguma “pobreza” (comercialmente falando, já que em termos tecnológicos – como se comprova – é exactamente o contrário) associada à oferta “pay TV” disponibilizada via satélite, quando comparada com os outros meios de distribuição desses conteúdos...
Francisco Vieira
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