TELE Satélite

Simples, fácil e barato...


Numa altura em que a recessão económica, a diminuição do consumo, a inibição do investimento, a fiscalidade (ainda mais) agravada, o desemprego crescente, a crise anunciada, são as expressões mais na ordem do dia, não deixa de impressionar o período muito "saudável" que, globalmente, o mercado europeu da recepção satélite parece hoje atravessar.

Dizem as estatísticas mais recentes: o mercado dos satélites (leia-se da recepção satélite) triplicou nos últimos cinco anos! Isso mesmo: triplicou! Só na Itália, existem hoje cinco milhões de antenas parabólicas, para captação sobretudo das dezenas de canais de origem transalpina actualmente transmitidos através dos populares retransmissores espaciais "Hot Bird" que a Eutelsat opera nos 13° Este. E falando de Eutelsat, de acordo com dados divulgados pelo operador de satélites pan-europeu aquando da mais recente edição da "Sat Expo", certame da especialidade promovido anualmente em Itália, nada menos que 120 milhões de famílias do "velho continente" têm já hoje acesso aos serviços fornecidos pelos retransmissores Eutelsat.

A vastíssima oferta que estes satélites europeus transmitem actualmente (e em grande parte é mesmo uma oferta, já que são canais livres, não codificados), com mais de 1100 canais de TV e mais de 600 canais de Rádio difundidos pela Eutelsat (a esmagadora maioria concentrada nos "Hot Bird"), explica obviamente, ainda que apenas em parte, esse flagrante sucesso.

Mas ele (o sucesso) não pode mesmo ser explicado apenas pela importância quantitativa da recepção satélite de canais em modo aberto (isto é, canais de acesso livre).

Até porque existem outros exemplos de sucesso flagrante e impressionante em termos de audiência, como é o caso dos Astra 19,2° Este e dos Hispasat 30° Oeste, em que a oferta a pagar (por assinatura) se sobrepõe, em número de canais e de aderentes, à oferta livre, em aberto. Uma prova clara disso mesmo, e bem próxima, poderia bem ser o pacote digital (codificado) do operador português TV Cabo, que conta hoje com algo como 300 mil subscritores nacionais.

Então, como explicar o sucesso das audiências actuais do mercado da recepção satélite? Para nós de forma óbvia e directa: pelo próprio conceito inerente à recepção satélite, no que respeita ao consumidor. É que, tal como antes, apesar da enorme evolução em termos de tecnologia, de retransmissores, de quantidade e qualidade de canais transmitidos, de filosofia comercial (com muitos canais e "bouquets" por assinatura, e não mais apenas canais livres), aceder à recepção satélite é algo que continua a ser… simples, fácil e barato!

Francisco Vieira

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